Têxtil | Publicado em: 22/02/2017 07:30:00

A confecção 2Rios, presidida por Matheus Diogo Fagundes, fez um upgrade de marca, reforçando as exportações e investindo em lingerie plus size para aumentar em 40% os volumes de produção.

A crise levou as confecções a reduzir sua produção em 15,9% nos últimos dois anos, de acordo com levantamento conduzido pela consultoria MacroSector, com base em dados do IBGE.

Trata-se da maior queda no ritmo de atividade da história do setor. Em dois anos, 1.643 confecções fecharam as portas no Estado de São Paulo, de acordo com o Sindivestuário.

A 2Rios, fabricante de lingeries há quase 30 anos, não escapou dos efeitos da recessão. Em 2015, a empresa catarinense foi forçada a cortar 10% a produção.

Matheus Diogo Fagundes, presidente da 2Rios, com sede em Joinville, diz que à época deparou com duas alternativas, continuar reduzindo o tamanho da empresa à espera da retomada da economia ou expandir o negócio mesmo na crise.

A 2Rios era uma empresa de médio porte, com 170 empregados, com uma marca popular, voltada para as classes da chamada base da pirâmide de renda. No segundo semestre de 2015, Fagundes decidiu virar o jogo. Reforçou o time com profissionais com experiência no setor, de 26 para 46 pessoas, e passou a colocar a marca em butiques.

Ao estudar o mercado de lingeries identificou que o nicho de lingerie plus size, que já vinha sendo produzidas havia seis anos, podia ser melhor explorado. “Conseguimos colocar a 2Rios ao lado de grandes marcas e desenvolvemos modelagem específica para os tamanhos maiores de lingerie”, diz. A estratégia deu bons resultados.

Há dois anos, a 2Rios contratou a modelo Aline Zattar, miss plus size, para exibir as lingeries da marca. Neste ano, a campanha de marketing , que será feita em Nova York, vai contar com a modelo Fluvia Lacerda, considerada a Gisele Bündchen do plus size.

Com essas e outras ações para reduzir custos e elevar a produtividade, os volumes da 2Rios cresceram 40% neste ano, à razão de 200 mil peças por mês. Ao mesmo tempo em que adotava medidas para enfrentar um mercado interno recessivo, Fagundes decidiu entrar firme no comércio eletrônico e fincar pé de vez no mercado externo, que já absorve 20% da produção.

A 2Rios exporta há 14 anos para Europa, América do Sul, Estados Unidos e Japão, principalmente. Em 2015, Fagundes entendeu que era a hora de montar um centro de distribuição (CD) nos EUA. “Não dá para ficar só se queixando da crise e esperar que a melhora do negócio venha com ações de fora da empresa. As tomadas de decisões do governo são lentas. O trabalho tem de ser interno, com equipe engajada para atingir resultados”, diz.

A virada que a 2Rios fez no negócio está mais para exceção do que para regra, de acordo com Ronald Masijah, presidente do Sindivestuário, sindicato que representa os fabricantes de roupas no país. 




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