Cidades | Publicado em: 24/10/2017 13:20:00

Episódios de chuvas intensas e deslizamentos de terra serão o foco da VII Conferência Brasileira sobre Estabilidade de Encostas, a Cobrae.

O evento, que acontece em Florianópolis entre os dias 2 e 4 de novembro no Costão do Santinho Resort, é realizado pela Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica - ABMS - Núcleo PR-SC.

Os desastres naturais ocorridos em 2008 na Região do Vale do Itajaí estarão entre os temas da Conferência, assim como a experiência de países desenvolvidos na prevenção ao problema.

O setor produtivo teve um prejuízo na ordem de R$ 1,39 bilhões de reais, sendo R$ 539 milhões relacionados à agricultura, pecuária, pesca e produção florestal e R$ 741 milhões da indústria e comércio, segundo relatório divulgado posteriormente pelo Banco Mundial.

O Noticenter conversou com o presidente da comissão organizadora do evento, o engenheiro geotécnico Luiz Antoniutti, para saber em detalhes como será a temática e a programação.

 

Qual o foco da VII Cobrae e as novidades do evento para 2017?

Luiz Antoniutti - A Conferência Brasileira sobre Estabilidade de Encostas objetiva gerar o debate sobre assuntos geotécnicos, como geologia de encostas e taludes. Uma das novidades é a realização da Cobrae em Florianópolis, pela primeira vez. A ideia principal este ano é tratar do resgate histórico do maior desastre natural que atingiu Santa Catarina, em 2008, quando 134 pessoas perderam suas vidas devido a soterramentos e desabamentos. As intensas chuvas geraram prejuízos para diversas cidades do Estado, principalmente em Blumenau, quando 25 mil pessoas ficaram desalojadas, o equivalente a 30% da população. A partir disso, serão discutidas as inovações no sentido de prevenção de acidentes naturais, instrumentos e procedimentos a serem tomados nestas situações emergenciais.

 

As cidades de Blumenau, Itajaí, Brusque, Gaspar e Camboriú foram alguns dos locais que sofreram maiores prejuízos com as inundações de 2008. Há inovações para a prevenção de novos desastres naturais nesta região?

Luiz Antoniutti - O mapeamento geotécnico é um dos avanços que devem ser registrados. Em lugares em que já ocorreu uma ocupação inapropriada, o mapeamento é uma ferramenta que define quais locais são considerados emergenciais para serem tratados com obras de estabilização ou remediação e quais locais necessitam de monitoramento. Outro avanço é a reestruturação das Defesas Civis Municipais e do Estado de Santa Catarina. Depois de 2008, viu-se que preparar as defesas civis para ações voltadas para a gestão do risco geotécnico, e não somente para as inundações, eram fundamentais e necessitavam serem implementadas. A par disso e do mapeamento geotécnico de algumas cidades, o estabelecimento de um sistema de radares meteorológicos no Estado foi também uma das importantes providências tomadas neste sentido.

 

Diversos setores são atingidos em episódios de chuvas intensas, como o que foi registrado em 2008, inclusive na área industrial. Quais os procedimentos para a prevenção de novos acidentes naturais?

Luiz Antoniutti - O setor privado sofreu um grande impacto com as intensas chuvas de 2008. Diversas atividades econômicas e suas estruturas foram completamente destruídas. Deve-se considerar sempre a relação de dependência entre o setor de negócios e o acontecimento de acidentes naturais. Os números divulgados sobre o fato em questão demonstram essa relação: o setor produtivo teve um prejuízo na ordem de R$ 1,39 bilhões de reais, sendo R$ 539 milhões relacionados à agricultura, pecuária, pesca e produção florestal e R$ 741 milhões da indústria e comércio. Isso segundo relatório divulgado posteriormente pelo Banco Mundial.  As instabilidades de encostas e taludes necessitam de ações conjuntas entre os diferentes órgãos públicos. Para a prevenção, o monitoramento é de extrema importância, tanto das chuvas quando de parâmetros geotécnicos de taludes e encostas em perigo. Investimentos estão acontecendo para os instrumentos de alarme para as regiões que possam sofrer com chuvas atípicas. Mas, para isso, é imprescindível um mapeamento anterior. Vale dizer que este assunto não é novo para a engenharia geotécnica brasileira, que possui excelentes profissionais e tecnologia de ponta para atuarem em programas de prevenção e diagnóstico, mapeamentos de risco, e até para apoiar as situações emergenciais. Vale dizer que este último foco de atuação – em emergências - é o que menos gostaríamos de atuar, mas infelizmente continuará sendo uma realidade para nós, em um país novo e com tanto a desenvolver e melhorar no sentido de um melhor uso de seus recursos financeiros e capacidades de seus técnicos, em benefício da sociedade. 

 

Quais palestras têm maior importância na programação do evento?

Luiz Antoniutti - A programação deste ano está bem completa e vai atender a demanda dos diversos públicos, tanto profissionais e estudantes das engenharias e geologia, quanto a comunidade em geral. Minicursos e palestras com grandes nomes, como Luciano Picarelli, que é professor italiano do Departamento de Engenharia Civil, Design, Construção e Meio Ambiente da Segunda Universidade de Nápoles, merecem destaque no evento. A experiência da Suíça, na questão de prevenção e procedimentos durante situações de calamidades, também será transmitida durante a VII Cobrae. Também é bom frisar que teremos 280 trabalhos acadêmicos provenientes de todo o País, o que torna o debate ainda mais estimulante para todos.




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